quinta-feira, 5 de agosto de 2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Revista Nova Escola

Edição 221 | Abril 2009
Leitura vale mais que um trocado
Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)
Foto: Rogério Albuquerque
CAMINHO LIVRE A cada livro oferecido em vez
de esmola, um leitor descoberto.
Foto: Rogério Albuquerque. Clique para ampliar

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Mais sobre leitura

Áudio

* Entrevista do editor Rodrigo Ratier à Radioweb

Reportagens

* Especial Leitura
* Leitura não pode ser só folia
* Oba! Hoje é dia de leitura
* Roger Chartier: o especialista em história da leitura

Atividades permanentes

* Aprendendo a ler textos jornalísticos
* Leitura de textos informativos

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

quarta-feira, 31 de março de 2010

André terá salário igualado ao dos desembargadores; R$ 24 mil

André terá salário igualado ao dos desembargadores; R$ 24 mil

Valdelice Bonifácio e Jacqueline Lopes, com assessoria da Assembleia

A partir do mês que vem o governador André Puccinelli (PMDB) receberá o mesmo salário pago aos desembargadores no valor de R$ 24.117,57. A alteração consta do Projeto de Lei 071/10, da Mesa Diretora da Assembléia. A medida corrige os subsídios pagos aos agentes políticos, como governador, vice-governador e secretários.
O texto adequa à legislação estadual, que prevê o pagamento ao chefe do Executivo do mesmo valor pago ao desembargador do Tribunal de Justiça. A proposta prevê ainda o reajuste retroativo de 5% a partir de dezembro do ano passado e mais 3,88% a partir do dia 1º de abril deste ano. O aumento acumulado será de 9% no vencimento.

Conforme a proposta, o vencimento do governador André Puccinelli (PMDB) passa de R$ 22.111,20 para R$ 23.216,76 em dezembro de 2009. A partir do próximo mês, o valor será de R$ 24.117,57. O percentual está previsto na Lei Federal 12.041, do ano passado, que corrigiu os vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Os salários do vice e dos secretários é proporcional ao valor pago ao chefe do Poder Executivo.

Zeca vai acionar MPE contra André por barrar protestantes e compara ato à ditadura militar

Zeca vai acionar MPE contra André por barrar protestantes e compara ato à ditadura militar

Jacqueline Lopes e Alessandra de Souza




O ex-governador Zeca do PT disse hoje que vai acionar o MPE (Ministério Público Estadual) contra o governador André Puccinelli (PMDB) pelo fato de, através das fiscalizações nas rodovias, ter barrado o acesso de servidores da educação que vinham ontem protestar por reajuste salarial, na Capital. Segundo ele, pela Constituição, todos os cidadãos têm direito de ir e vir e de reivindicar.

“Eu vi o que aconteceu ontem. Eu e Gilda [esposa] passamos por Terenos e ela achou que tanta polícia era porque tinham pego alguém com droga. Mas, depois em Campo Grande ficamos sabendo o que era. Vimos toda a truculência do Estado e a arrogância do André”.

O ex-governador deverá ingressar com mandado de segurança no MPE contra Puccinelli. Ele repudia o ato ocorrido ontem e o compara com os tempos da ditadura militar. Alessandra de Souza




Zeca do PT é o principal adversário político de Puccinelli e ambos disputam o cargo de governador nas eleições deste ano.

O ex-governador conversou com o Midiamax nesta manhã durante evento com membros da CUT (Central Única dos Trabalhadores), no prédio da Igreja Católica, próximo à UCDB.

sábado, 27 de fevereiro de 2010